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Abaixo há uma coletânea das perguntas mais frequentes oriundas da imprensa, clientes e interessados em geral. Veja se alguma pergunta de seu interesse já foi respondida.
Ao lado, você pode enviar comentários às respostas. Se tiver outras perguntas sobre Criatividade, Inovação e Mudanças , envie também. Algumas delas poderão ser publicadas.
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+ O que é criatividade? O que é inovação? Quais as diferenças?
A criatividade é uma competência. Como tal, combina a variáveis Conhecimento, Habilidade e Atitude para tornar as pessoas mais flexíveis, capazes de gerar, aceitar, avaliar e aprimorar ideias, visualizar novas oportunidades, solucionar problemas, passar por grandes transformações e se renovar. É, portanto, uma das competências mais importantes para um profissional na atualidade.
Já as inovações são os produtos gerados pela criatividade, e vão desde as melhorias – também chamadas de inovações incrementais – até a geração de novos produtos, novas estratégias de marketing e a revoluções no mercado – também chamadas de inovações radicais ou de impacto.
Há inúmeras definições de criatividade, bem como de inovação. Tantas que várias empresas se preocuparam em ter sua própria definição, para garantir uma compreensão uniforme do tema.
+ Quais são os benefícios mais freqüentes das inovações nas empresas?
No nível tático e operacional, os maiores benefícios são ideias que reduzem custos, aperfeiçoam processos, melhoram o atendimento e a qualidade.
Benefícios podem também ser vistos nas áreas prestadoras de serviços internos quando há inovações na área de TI, RH, Finanças etc.
As inovações mais marcantes são as chamadas inovações radicais ou de impacto que geram novas oportunidades de negócios, novos produtos, estratégias de marketing ou revolucionam o mercado.
+ Por que as empresas precisam inovar?
Até poucos anos atrás as empresas optavam por três tipos de definições estratégicas: novos produtos, fidelização de clientes ou redução de custos.
Hoje, há muito mais concorrência e menos dinheiro no mundo. Os nichos de mercado diminuíram, devido à segmentação da oferta, reduzindo as margens de lucro. Assim, a estratégia do preço baixo demanda muita inovação nos processos, pois não há excedente para cortar.
A estratégia da fidelização torna-se cada vez mais difícil, pois o mercado está cada vez mais viciado na busca do novo.
É por isso que as empresas percebem a necessidade de gerar produtos novos, estratégias de marketing diferenciadas, novas vantagens aos clientes ou a chamada inovação de conceito que revoluciona o mercado e torna um produto ou serviço único.
+ É possível desenvolver a criatividade?
Imagine a criatividade como uma competência, tal qual saber dançar. Todos nascem com o potencial, uns mais, outros menos, mas a prática é determinante: quem nunca dançou, ou foi tolhido toda vez que quis dar uns passinhos, vai ter mais dificuldades do que quem pratica a dança .
Existe também a técnica. Na dança, existem posturas, passos e movimentos específicos. Para criar há vários instrumentos que podem ser aprendidos, tanto para geração como para avaliação e seleção de ideias (o Brainstorming e o Pensamento Lateral, por exemplo, incrementam a capacidade de gerar ideias). Como a inovação não se limita à geração de ideias, há instrumentos para a percepção de oportunidades de inovação, avaliação de ideias, administração do risco e monitoramento de inovações.
Finalmente, há o ambiente. É difícil dançar sem uma boa música, num espaço exíguo e com pessoas olhando e criticando. Da mesma forma, o espaço físico, a demanda e principalmente a atitude das pessoas a nossa volta influenciam a capacidade de criar.
+ O que torna uma empresa capaz de inovar?
A inovação é fruto de três variáveis: ambiente – que envolve pessoas motivadas, líderes inspiradores e participação; a capacitação – pessoas que sabem gerar e avaliar ideias e administrar riscos e as estruturas – os sistemas que garantem que as ideias cheguem às pessoas certas.
+ O que é uma empresa inovadora?
É uma empresa que se recicla ou se reinventa continuamente e em sintonia com sua definição estratégica. As empresas podem inovar em produtos, podem inovar na sua relação com o mercado e podem inovar no seu estilo de gestão. Até as empresas cuja definição estratégica é a de vender a preços baixos precisam inovar seus processos para reduzir seus custos, como é o caso da Wall-Mart.
+ Seu trabalho está direcionado apenas para grandes empresas?
Não. Meu trabalho é sempre adaptado às necessidades, dimensões e cultura da empresa.
+ As empresas possuem sistemas para realizarem inovações?
Sim. É o sistema que garante que as ideias cheguem às pessoas certas, sejam devidamente avaliadas e adaptadas e – quando for o caso – finalmente disseminadas, implementadas e monitoradas.
Um bom sistema deve incluir aspectos como estímulo e motivação das pessoas que contribuirão com as ideias e formas de se administrar o risco.
Não recomendo que o sistema seja algo congelado, que passa de uma empresa para outra sem adaptações.
Meu trabalho, na implementação de sistemas é apresentar vários existentes, apontar os prós e contras de cada etapa e discutir os ajustes que pemitirão com que a empresa possua os métodos mais adequados a sua cultura e suas necessidades.
+ Qual é a visão que a maioria das empresas possuem sobre inovação?
Um instrumento poderoso para manter a competitividade a médio e longo prazo, e às vezes uma questão de sobrevivência. Ninguém duvida mais da importância da inovação, mas as grandes divergências estão no como conseguir inovar. E a maior angústia está no risco, que precisa ser bem administrado.
+ Como uma empresa estimula a criatividade de seus colaboradores?
O tripé Ambiente/Capacitação/Logística continua valendo, mas há diferentes estratégias e táticas a serem feitas. Costumo elaborar Planos de Adoção específicos para cada empresa, que envolvem comunicação interna e capacitação. Alguns aspectos são fundamentais:
- As lideranças formais e informais devem estar envolvidas
- Deve haver reconhecimento e feedback de qualidade às contribuições
- As atividades de acompanhamento devem ser, elas próprias, criativas
+ Como lidar com o risco das inovações? É possível minimizá-los?
É possível minimizá-los e estar preparado para administrá-los. Uso metodologias para avaliar os riscos e administrá-los de antemão. Além disso, temos que considerar as possibilidades de monitoramento depois que uma inovação é implementada.
+ As melhores ideias são individuais ou obtidas em equipe?
Estudo do Journal of Personality and Social Psychology, dos EUA, verificou que um brainstorming em equipe gerou 28 ideias, 20,8% das quais consideradas boas. O mesmo número de pessoas trabalhando individualmente gerou 74 ideias, 79,2% consideradas boas. Num grupo, o espírito de conformidade pode abafar a ousadia. Os grupos atuam melhor na fase de tomada de decisões, avaliação e escolha das melhores ideias, pois tendem mais ao senso comum. Para se obter o melhor dos dois mundos (diversidade de opiniões e ideias originais) atuo como facilitadora aplicando técnicas que fazem com os membros das equipes fujam do pensamento tradicional e que passem a ser valorizados por isso.
As equipes de inovação não vão desaparecer, muito pelo contrário, mas haverá também mais espaço para os empreendedores corporativos e maior preocupação com as dinâmicas específicas das etapas da inovação, alternando-se trabalho a sós com atividades em equipe.
+ Como saber quem é criativo? Como identificar os funcionários criativos nas empresas?
Se usarmos o conceito do pesquisador inglês Michael Kirton, não existem pessoas que não sejam criativas, pois podemos dividir a criatividade em dois tipos: a adaptadora (das pequenas coisas dentro da conformidade) e a inovadora (das grandes ideias que quebram paradigmas e trazem mudanças efetivas).
Assim, há as que usam a criatividade para se adaptar ao mundo e tendem a gerar inovações incrementais e há as que mudam o mundo, que tendem a gerar inovações radicais. As empresas precisam dos dois tipos de criatividade, mas depende da área, do momento e da definição estratégica da organização.
Já o psicólogo americano Joy Paul Guilford divide a criatividade em vários componentes. Há exercícios e testes que avaliam cada um deles, que são:
Fluência – É o aspecto quantitativo da criatividade, ou seja, a habilidade em gerar um número relativamente grande de ideias.
Flexibilidade e Redefinição – São os aspectos do pensamento que implicam numa mudança ou revisão de algum tipo, seja na forma de perceber uma situação, realizar uma tarefa ou na própria direção do pensamento.
Originalidade – É a capacidade de desenvolver possibilidades de solução peculiares, às quais nem todos podem chegar.
Elaboração – Define o talento para formular uma ideia e continuar desenvolvendo-a até que se torne solução concreta.
Sensibilidade para Problemas – Considera a habilidade de ver defeitos, deficiências e oportunidades de melhorias em situações aparentemente normais.
+ A motivação é importante para que a pessoa inove?
Muito. Você pode imaginar alguém inovando sem autoconfiança, sem vontade de fazer acontecer? Por definição, o que é novo não foi testado. Ë preciso confiar nos resultados. Não falo aqui de um otimismo inconsistente, alienado. Trata-se da motivação de quem vê e acredita na realidade e administra os riscos.
Na maioria das palestras que realizo, assim como nos Planos de adoção a Programas de Ideias, dou muita importância aos aspectos motivacionais, mas também acrescento o “como fazer”, as formas de atingir a inovação. Querer fazer e saber fazer caminham de mãos dadas.
+ Como posso treinar o meu cérebro para desenvolver mais ideias?
Comecemos entendendo o funcionamento do cérebro: cada vez que pensamos, nossos neurônios realizam um determinado percurso. Quando fazemos uma associação mental pela primeira vez, esse percurso equivale a uma pequena trilha num matagal. Cada vez que a associação se repete, a trilha se transforma num caminho maior e mais confortável, até tornar-se uma auto-estrada reta, ampla e fluída, cujo percurso é quase irresistível. Este estágio equivale ao saber de cor (pense nos primeiro dígitos do número do seu RG, o resto não vem em seguida?).
No fundo, a mente não é tão diferente do nosso corpo: automatizamos tudo o que repetimos, e a mudança sempre parece menos confortável.
Portanto, o primeiro passo é forçar um pouco a mente para que ela saia da rotina. Esqueça o mito de que a criatividade brota espontaneamente.
Para ver uma situação com novos olhos, imagine-a, por exemplo, sem algum componente essencial. Digamos que você tivesse que criar um restaurante com algo de inédito, original. Você poderia eliminar um de seus componentes indispensáveis. Assim, imaginando um restaurante sem cadeiras, você poderia criar o restaurante coquetel, no qual as pessoas comem em pé, com mobilidade para conversarem umas com as outras. Um restaurante sem comida poderia dar a ideia de um local para refeições no qual cada pessoa traz a própria comida, um restaurante sem cozinheiro inspiraria um local para pessoas que gostam de cozinhar com os amigos e assim por diante.
+ Por que temos ideias dormindo, praticando esportes ou quando estamos mais relaxados?
Nossa mente funciona ininterruptamente, não apenas quando nos dedicamos conscientemente a uma tarefa. Quando queremos gerar ideias para uma determinada situação, estamos jogando uma isca para o nosso subconsciente. O consciente pode estar atuando em outra área, mas o subconsciente continua trabalhando. Este processo é chamado de incubação.
Quando estamos mais relaxados, as ideias vêm à tona, mas elas são voláteis. Podemos esquecê-las facilmente. Anotá-las é uma ótima medida, até porque quanto mais escrevemos, mais treinamos o subconsciente para produzir ideias.
